Sexta-feira, 22 de Fevereiro de 2008
"Quem é Ulisses?"

    Segundo Homero, Ulisses é o filho do rei Laertes, da ítaca, e da sua mulher Anticleia. Tradições posteriores deixam entender que Anticieia teria tido este filho de Sísifo, rei de Corinto, ficando assim explicada a astúcia, que ele herdara de seu pai, e que utilizará ao longo dos seus infortúnios.

Quando Ulisses atinge a idade adulta, Laertestransmite-lhe o trono. O novo rei, um dos pretendentes à mão de Helena de Esparta, obtém como compensação, a sua prima, Penélope. Da sua mulher, ele terá um filho, Telémaco.

Ao longo do drama troiano, ou seja, ainda antes das hostilidades que, durante a guerra, opuseram os chefes da Grécia ao rei Príamo e aos seus filhos, raptores de Helena, Ulisses assumiu funções de conselheiro e de embaixador, tendo a sua habilidade e a sua sabedoria causado admiração. O herói aliava à astúcia, a valentia e a dedicação, e a eficácia da sua acção reconhecida pelos seus inimigos -foi ele que comandou o destacamento militar escondido nos fiancos do cavalo de madeira -, valeu-lhe receber, em herança, as armas de Aquiles, forjadas por Hefesto.

O regresso de Ulisses à sua pátria, após a queda de Tróia, foi o tema do relato da Odisseia. O nome Ulisses é uma transcrição latina do nome grego Odusseus, que significaria a vítima do rancor. A malignidade dos destinos, com efeito, abateu-se sobre ele e sobre os seus companheiros, levando-o a errar durante dez anos - tantos quantos durou o cerco de Tróia - antes de reencontrar a sua ilha, a sua mulher e o seu filho.

Sacudido pelas tempestades e pelos caprichos dos deuses, Ulisses fará uma primeira escala na Trácia, cujos habitantes massacrou.
Em seguida aportou ao país dos Latófagos, que se alimentavam do Iótus, a planta do esquecimento. Depois escalou a ilha dos Ciclopes, onde afrontou Polifemo, filho de Posídon, e devorador de homens.

Daí dirigiu-se ao reino de Éolo, senhor dos ventos, que lhe ofereceu um odre onde estavam fechados todos os ventos. Mas os seus companheiros abriram-no e desencadearam uma tempestade. Então Ulisses foi atirado para o país dos antropófagos Lestrígones. Daí escapou para a ilha da mágica Circe, que transformava os marinheiros em porcos e, finalmente, aportou na sombria região dos Cimérios onde residiam os mortos e onde interrogou o adivinho Tirésias sobre o caminho a seguir para voltar a ítaca.

Depois sofreu a sedução maléfica das Sirenes, o perigo das Rochas errantes, a crueldade dos monstros Caríbdis e Cila, o trágico episódio na ilha de Trinácia, onde os Gregos, tendo imolado os bois brancos de Hélio, pereceram no mar, fuiminados por Zeus, deixando o herói sozinho, preso a uma jangada;

Deucalião o acolhimento demasiado caloroso da ninfa Calipso, que aprisionará Ulisses durante vários anos e a hospitalidade generosa do rei dos Feaces, AIcínoo, e da sua filha, Nausícaa, que recolheu o naúfrago.

O herói sofreu todas estas provas com uma coragem exemplar. A sua vontade e a sua inteligência obtiveram, finalmente, a recompensa. Depois de vinte anos de ausência, Ulisses reverá a sua ítaca, o seu velho porqueiro Eumeu, o seu filho e o seu pai e o seu cão Argo, que esperou o seu regresso para morrer. Quanto à sua mulher, irá encontrá-la envolvida numa disputa, com uma centena de pretendentes dispostos a disputar a sua mão e os seus bens. Até aí, Penélope tinha conseguido escapar às solicitações dos diversos pretendentes, prometendo que daria um sucessor a Ulisses, quando terminasse a mortalha que tecia. Entretanto, Penélope passava uma parte das suas noites desfazendo o trabalho que tecia de dia. Ulisses, incógnito, provocará os pretendentes, um a um, vencendo-os e massacrando-os. E só então ele se fará reconhecer à sua fiei Penélope.

As tradições relativas à morte de Ulisses são diversas. Apresenta-se, por vezes, o herói caindo, acidentalmente, aos golpes de Telégono, um filho que teria tido de Circe.

O périplo mítico de Ulisses foi objecto de estudos científicos, que chegaram a conclusões variadas: Victor Bérard consigna-lhe a rota mediterrânica; Gérerd Pillot, mais recentemente (O Códígo secreto da Odisseía'), considerando sobretudo a duração das etapas, alarga a rota até à Islândia, onde situa o país de Calipso.

A personagem de Ulisses, na qual os homens reconhecem o símbolo do lutador, triunfante nas provas a que é submetido pelo destino, gozou e goza, ainda hoje, de uma imensa popularidade. Ulisses ocupa um lugar importante na arte (A. Carrache, Le Guide, Rubens ... ) e na literatura: o fabuloso romance de J. Joyce, Ulisses, é uma paródia da Odísseia. O reencontro de Ulisses e de Penélope inspiraram duas obras líricas intituladas: Penélope, uma de G. Fauré e outra de R. Liebermann, que é uma apresentação moderna da lenda.

 

Retirado de:

http://dicionario-de-mitologia-grega-e-romana.portalmidis.com.br/u/ulisses.htm


A Hora do Conto às 12:07
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